O tempo inscrito sobre pedras
Intimida as mais destemidas almas
Lembro-me quando corria
Desafiando as torrentes de carros
Nas artérias entupidas desta cidade insana
O tempo reinava absoluto
Inclemente, mas invisível
Hoje tenho tempo...
Um tempo que não gira enclausurado no relógio
um tempo que caçoa... se inscreve sobre as pedras
se inscreve sobre o corpo
domingo, 12 de dezembro de 2010
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
pedaços
Será que há alguém
a ver minh'alma?
...tão ferida,
despedaçada mesmo
ainda assim, só cicatrizes
ergue-se claudicante
e ronda-me o corpo
pedindo um pouco d'água
tenho sede, sussurra
e é então que minha mão
te procura
a ver minh'alma?
...tão ferida,
despedaçada mesmo
ainda assim, só cicatrizes
ergue-se claudicante
e ronda-me o corpo
pedindo um pouco d'água
tenho sede, sussurra
e é então que minha mão
te procura
domingo, 3 de outubro de 2010
só quatro linhas
Semblante abatido este da noite
Parece setembro e chuva
Se há calmaria, na fronte
levo a marca do tormento
Parece setembro e chuva
Se há calmaria, na fronte
levo a marca do tormento
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
cálido
Às vezes, na vida,
O mundo não é mais que um colo
E um par de olhos arregalados
A espera ansiosa, e o medo espantoso
O número chama, qualquer um será, 875
E os passos levam apressados à frente
Mas o corpo quer voltar
Ao cálido colo
O mundo não é mais que um colo
E um par de olhos arregalados
A espera ansiosa, e o medo espantoso
O número chama, qualquer um será, 875
E os passos levam apressados à frente
Mas o corpo quer voltar
Ao cálido colo
Cavalo... cavalo... cavalo
Cavalo... cavalo... cavalo...
Quando a gente tem frio, em geral, se cobre.
Se tem sono, dorme, se tem fome ou sede, come ou bebe.
Se algo incomoda, nos afastamos...
Mas quando recebemos uma notícia assim,
não há para onde ir.
Simplesmente queremos estar em outro corpo,
em outra vida
Se vamos dormir, depois de inúmeras gotas de rivotril, dormimos.
Mas no dia seguinte acordamos e somos nós ainda.
E somos nós que padecemos. Queremos fugir da nossa pele, de nossos ossos
E só resta esperar a hora de tomar de novo rivotril
Cavalo... cavalo... cavalo...
Cavalo... e as placas na rua...
São só placas na rua,
não dizem mais que Pare,
Estreitamento de pista à esquerda,
Dê a preferência
Cuidado, pedestres
Acesso à Av. 23 de Maio
Hospital do Câncer...
A placa pode deixar de ser só placa
Pode ser também palpitação
protuberância no caminho
medo e dor...
Cavalo... cavalo... cavalo...
Deixemos o trânsito
Voltemos no tempo
e se o tempo não volta,
que seja na memória,
substrato do tempo,
argila mentirosa
Quando a gente tem frio, em geral, se cobre.
Se tem sono, dorme, se tem fome ou sede, come ou bebe.
Se algo incomoda, nos afastamos...
Mas quando recebemos uma notícia assim,
não há para onde ir.
Simplesmente queremos estar em outro corpo,
em outra vida
Se vamos dormir, depois de inúmeras gotas de rivotril, dormimos.
Mas no dia seguinte acordamos e somos nós ainda.
E somos nós que padecemos. Queremos fugir da nossa pele, de nossos ossos
E só resta esperar a hora de tomar de novo rivotril
Cavalo... cavalo... cavalo...
Cavalo... e as placas na rua...
São só placas na rua,
não dizem mais que Pare,
Estreitamento de pista à esquerda,
Dê a preferência
Cuidado, pedestres
Acesso à Av. 23 de Maio
Hospital do Câncer...
A placa pode deixar de ser só placa
Pode ser também palpitação
protuberância no caminho
medo e dor...
Cavalo... cavalo... cavalo...
Deixemos o trânsito
Voltemos no tempo
e se o tempo não volta,
que seja na memória,
substrato do tempo,
argila mentirosa
fecunda letra
Um dia quis ter filhos...
Por razões absolutamente egoístas ou, talvez, egotistas, desejava ver em outro ser meus próprios olhos, meu próprio ser, alguém que pudesse “continuar-me”. Depois a vontade tornou-se hábito, desejava criar alguém, ter uma criança a quem pudesse ensinar algo e que na minha velhice pudesse me acolher e amenizar a solidão do fim. Com o tempo, a vontade não conheceu mais razões. Tenho pais incríveis, capazes de amar seus filhos com uma força e voracidade sem medida, capazes de fazer qualquer coisa por eles, pais que nasceram para muitas coisas, dentre elas para serem pais. Pais que mereciam ser avós. Mas agora me descobri estéril. Não é uma esterilidade orgânica, nada sei do meu sêmen, a não ser da sua cor, de sua consistência, é uma esterilidade da vontade. Hoje, por razões altruístas, não quero filhos. Não quero ver meus olhos tristes em outro ser, não quer ver meu próprio ser em outrem, alguém que pudesse continuar...
Por razões absolutamente egoístas ou, talvez, egotistas, desejava ver em outro ser meus próprios olhos, meu próprio ser, alguém que pudesse “continuar-me”. Depois a vontade tornou-se hábito, desejava criar alguém, ter uma criança a quem pudesse ensinar algo e que na minha velhice pudesse me acolher e amenizar a solidão do fim. Com o tempo, a vontade não conheceu mais razões. Tenho pais incríveis, capazes de amar seus filhos com uma força e voracidade sem medida, capazes de fazer qualquer coisa por eles, pais que nasceram para muitas coisas, dentre elas para serem pais. Pais que mereciam ser avós. Mas agora me descobri estéril. Não é uma esterilidade orgânica, nada sei do meu sêmen, a não ser da sua cor, de sua consistência, é uma esterilidade da vontade. Hoje, por razões altruístas, não quero filhos. Não quero ver meus olhos tristes em outro ser, não quer ver meu próprio ser em outrem, alguém que pudesse continuar...
sexta-feira, 16 de julho de 2010
nhenhe
Olhar-me no espelho para não reconhecer-me, como foi que cheguei aqui? Foi como sair de manhã de Kindberg e pela noite chegar a Caína. Era um percurso que mal conseguia explicar e Lina havia muito não estava ao meu lado, era uma mulher agora, e amargurada me dizia que deveríamos parar de brincar, já não somos mais criança. Longe disso, somos velhos já.
---------------------------------
Insossa noite insone
te deitas em meu leito
e antes que te destrone
o triste sol, me deito
---------------------------------
Insossa noite insone
te deitas em meu leito
e antes que te destrone
o triste sol, me deito
Assinar:
Postagens (Atom)