Com sorte, uma singela palavra
desenhará no chão
a sombra vaga
da estranha lágrima
que se abeira ao cílio
qual reação oftálmica
à luz do ocaso
moribunda e, ainda assim,
resplandecente
sobre os troncos curvados
da árvore envelhecida
à beira da estrada
à espera tardia
da minha passagem fugaz,
quilometro 35,
caminho repetido,
caminho esquecido,
com a árvore,
a luz, a lágrima
e o ocaso...
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
sábado, 27 de agosto de 2011
Os olhos (que imagino) de Pedro Damián
As chagas na pele fina
da alma machucada e maculada
logo cicatrizam.
Não são nem dor
são lembranças
(quase nostalgia da dor)
São a ameaça perene
ao homem sereno
à espera da sua segunda vida,
prometida nos olhos tristes
de Pedro Damián.
da alma machucada e maculada
logo cicatrizam.
Não são nem dor
são lembranças
(quase nostalgia da dor)
São a ameaça perene
ao homem sereno
à espera da sua segunda vida,
prometida nos olhos tristes
de Pedro Damián.
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Passos sobre Gólgota
Como podem ser os passos tão lentos
quando o caminho é tão certo?
É único, um plano sobre Gólgota,
e o norte está em todos os lados
Os olhos resvalam equânimes
sobre rostos idênticos, parecidos
ou em todo caso indiferentes,
É o mesmo...
Uma sorte de brisa sopra despretensiosa
e o rosto se parte e arde,
quisera ver o pôr-do-sol
e nele entender a verdade dos poetas
o sol se põe e o verso perdi....
Resta a noite sem estrelas, insone
e névoa alaranjada.
Retorno ao lar, rasgando o véu espesso
do ar sujo de respirações cansadas,
procurando a ponta do anel dos monótonos.
O lar mal acolhe, recolhe um mundo
de tristeza sem fundamento,
quase inaceitável, mas camas e lençóis
corrompem e convencem...
Envelhecer é deitar-se...
Envelhecer-se é deitar...
quando o caminho é tão certo?
É único, um plano sobre Gólgota,
e o norte está em todos os lados
Os olhos resvalam equânimes
sobre rostos idênticos, parecidos
ou em todo caso indiferentes,
É o mesmo...
Uma sorte de brisa sopra despretensiosa
e o rosto se parte e arde,
quisera ver o pôr-do-sol
e nele entender a verdade dos poetas
o sol se põe e o verso perdi....
Resta a noite sem estrelas, insone
e névoa alaranjada.
Retorno ao lar, rasgando o véu espesso
do ar sujo de respirações cansadas,
procurando a ponta do anel dos monótonos.
O lar mal acolhe, recolhe um mundo
de tristeza sem fundamento,
quase inaceitável, mas camas e lençóis
corrompem e convencem...
Envelhecer é deitar-se...
Envelhecer-se é deitar...
domingo, 12 de dezembro de 2010
outro tempo
O tempo inscrito sobre pedras
Intimida as mais destemidas almas
Lembro-me quando corria
Desafiando as torrentes de carros
Nas artérias entupidas desta cidade insana
O tempo reinava absoluto
Inclemente, mas invisível
Hoje tenho tempo...
Um tempo que não gira enclausurado no relógio
um tempo que caçoa... se inscreve sobre as pedras
se inscreve sobre o corpo
Intimida as mais destemidas almas
Lembro-me quando corria
Desafiando as torrentes de carros
Nas artérias entupidas desta cidade insana
O tempo reinava absoluto
Inclemente, mas invisível
Hoje tenho tempo...
Um tempo que não gira enclausurado no relógio
um tempo que caçoa... se inscreve sobre as pedras
se inscreve sobre o corpo
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
pedaços
Será que há alguém
a ver minh'alma?
...tão ferida,
despedaçada mesmo
ainda assim, só cicatrizes
ergue-se claudicante
e ronda-me o corpo
pedindo um pouco d'água
tenho sede, sussurra
e é então que minha mão
te procura
a ver minh'alma?
...tão ferida,
despedaçada mesmo
ainda assim, só cicatrizes
ergue-se claudicante
e ronda-me o corpo
pedindo um pouco d'água
tenho sede, sussurra
e é então que minha mão
te procura
domingo, 3 de outubro de 2010
só quatro linhas
Semblante abatido este da noite
Parece setembro e chuva
Se há calmaria, na fronte
levo a marca do tormento
Parece setembro e chuva
Se há calmaria, na fronte
levo a marca do tormento
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
cálido
Às vezes, na vida,
O mundo não é mais que um colo
E um par de olhos arregalados
A espera ansiosa, e o medo espantoso
O número chama, qualquer um será, 875
E os passos levam apressados à frente
Mas o corpo quer voltar
Ao cálido colo
O mundo não é mais que um colo
E um par de olhos arregalados
A espera ansiosa, e o medo espantoso
O número chama, qualquer um será, 875
E os passos levam apressados à frente
Mas o corpo quer voltar
Ao cálido colo
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